Publicada originalmente às 15h09*
Por Cleber Lourenço
A CPI do Crime Organizado do Senado deve votar no próximo dia 24 de fevereiro um pacote de requerimentos que amplia o foco das investigações sobre a gestora de investimentos Reag, ligada ao Banco Master, em meio a suspeitas de fraudes financeiras bilionárias e possível utilização de estruturas do mercado de capitais para lavagem de dinheiro associada ao Primeiro Comando da Capital (PCC).
O presidente da comissão, senador Fabiano Contarato (PT-ES), protocolou pedidos de quebra dos sigilos bancário, fiscal, telefônico e telemático da empresa — atualmente denominada CBSF Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários — e de seu fundador e ex-presidente do Conselho de Administração, João Carlos Falbo Mansur. O parlamentar também requereu a convocação de Mansur para depor presencialmente perante o colegiado.
Os pedidos abrangem o período de 2020 a 2025. No caso da quebra telemática, a CPI solicita acesso a registros de conexão, dados cadastrais, histórico de comunicações e informações vinculadas a plataformas digitais como WhatsApp, Google, Meta, Telegram, Apple, X e TikTok. A justificativa apresentada sustenta que o cruzamento entre dados financeiros e comunicações eletrônicas é essencial para identificar eventual coordenação entre agentes do mercado financeiro e organizações criminosas.
Nos requerimentos, Contarato destaca que a Reag teria ampliado seu patrimônio sob gestão de R$ 25 bilhões para R$ 341 bilhões em cinco anos. O senador argumenta que esse crescimento coincide com investigações conduzidas pela Polícia Federal nas operações Compliance Zero e Carbono Oculto, que apuram suspeitas de uso de fundos para inflar artificialmente o patrimônio do Banco Master e para viabilizar esquemas de lavagem de dinheiro.
Além das quebras de sigilo, a CPI requisitou ao presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, a remessa integral do processo administrativo que culminou na liquidação extrajudicial da Reag, decretada em janeiro de 2026. O pedido inclui autos de fiscalização, relatórios técnicos, pareceres internos, despachos decisórios e comunicações formais enviadas a órgãos como COAF, Polícia Federal e Ministério Público.
Para o presidente da comissão, o acesso a esses documentos permitirá avaliar a extensão das irregularidades apontadas pelo órgão regulador e examinar se houve falhas de supervisão ou utilização indevida da estrutura da gestora para ocultação patrimonial.
“A CPI do Crime Organizado cumpre uma função constitucional de investigar e fiscalizar a atuação de organizações criminosas que se utilizam do sistema financeiro nacional. Não podemos nos omitir diante desse escândalo que continua nos surpreendendo e horrorizando pela gravidade dos fatos revelados”, afirmou Contarato.
O senador também declarou que os requerimentos relacionados ao caso Master, inclusive os que envolvem familiares de integrantes do Supremo Tribunal Federal, serão incluídos na pauta da próxima reunião da comissão.
“O compromisso da CPI é unicamente com a Constituição e o interesse público. Não abro mão disso e garanto que a CPI continuará pautada pela independência. Ninguém será blindado”, disse.
Se aprovadas, as medidas ampliam o escopo da investigação parlamentar e colocam sob escrutínio tanto a estrutura financeira da Reag quanto a atuação de seus dirigentes no período que antecedeu a liquidação da instituição pelo Banco Central, aprofundando o eixo que conecta o caso Master às apurações sobre o financiamento do crime organizado.