O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou nesta terça-feira (10) que o governo deve evitar decisões precipitadas diante da recente disparada do preço do petróleo no mercado internacional. Segundo ele, é necessário acompanhar a evolução do cenário antes de adotar medidas que possam ter impacto duradouro na economia.
A preocupação surge porque a valorização do petróleo pode pressionar a inflação, principalmente por meio do aumento nos preços dos combustíveis.
Ao comentar o assunto, Haddad defendeu que o governo não reaja de forma precipitada às oscilações do mercado. “Nós não podemos correr risco de tomar decisões açodadas”, disse o ministro. “Você veja como o preço do petróleo está oscilando dia a dia. Você não pode, com base nisso, já ir tomando decisões estruturais.”
O ministro lembrou que situações semelhantes já ocorreram recentemente, citando o impacto inicial das tarifas impostas pelos Estados Unidos no passado. Na época, segundo ele, houve forte reação do mercado e previsões negativas que não se confirmaram.
“Você lembra no caso do tarifaço? […] houve um pânico gerado pela extrema direita de que aquilo ia quebrar a economia brasileira […] e nada disso aconteceu.”
Haddad: Banco Central decide de forma independente
Haddad também destacou que a definição da taxa básica de juros cabe exclusivamente ao Banco Central, que possui autonomia para conduzir a política monetária.
Segundo ele, o trabalho da autoridade monetária consiste basicamente em calibrar a taxa de juros de acordo com as condições da economia.
“Nós temos uma doença [inflação], um remédio [taxa de juros], e o que o Banco Central faz é administrar a dose.”
Ele reforçou que não participa diretamente das decisões do Comitê de Política Monetária (Copom). “Agora, vamos ver o que vai acontecer. Eu não posso antecipar, porque eu não sei. Não voto no Copom.
Atualmente, a taxa básica de juros (Selic) está em 15% ao ano, o nível mais alto em quase duas décadas.
O Banco Central já indicou que pretende iniciar um ciclo de redução dos juros na próxima reunião do Copom. Inicialmente, o mercado esperava um corte de 0,5 ponto percentual, levando a taxa para 14,5% ao ano.
No entanto, com o aumento das tensões no Oriente Médio e a alta do petróleo, parte dos analistas passou a prever um corte menor, de 0,25 ponto percentual, o que levaria a Selic para 14,75% ao ano.