O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou nesta terça-feira (8) que o governo brasileiro não pode se pautar pelas falas recentes do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre tarifas contra países alinhados ao Brics. Para ele, há um “grau de incerteza” nas declarações do norte-americano, que exige cautela nas reações diplomáticas.
“Tem um grau de incerteza nas falas que precisam ser avaliadas com o tempo. Os prazos estão sendo prorrogados, têm muitas idas e vindas. Nós temos que aguardar”, disse Haddad, ao comentar os anúncios de tarifas feitos por Trump em sua rede social, a Truth Social.
O presidente dos EUA anunciou no domingo (6) a intenção de impor tarifas de 10% sobre países que, segundo ele, adotarem “políticas antiamericanas” alinhadas ao Brics — grupo originalmente formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul. A declaração ocorreu por ocasião da 17ª Cúpula do Brics, realizada no Rio de Janeiro, e gerou repercussão internacional. Lula rebateu dizendo que o bloco “não nasceu para afrontar ninguém”.
Haddad destacou que as negociações entre Brasil e EUA continuam em andamento em nível técnico. “Tem uma equipe do presidente Lula sentada à mesa com o governo americano tratando do nosso acordo bilateral. Estamos focando nesse trabalho técnico, porque, se considerar tudo que está sendo dito, vamos nos perder num discurso que pode não conduzir para o melhor resultado para os dois países”, afirmou.
O ministro também reiterou que o Brasil mantém uma política externa diversificada. “Não temos relação só com os Brics. Estamos fechando acordo com a União Europeia e outros bilaterais com o Oriente Médio. Pela escala da economia brasileira, não podemos nos tornar apêndice de nenhum bloco”, disse.
Haddad comenta IOF e guerra fiscal
Haddad também comentou a decisão do ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), que suspendeu tanto os decretos do governo federal sobre o IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) quanto a decisão do Congresso que havia derrubado esses decretos.
Segundo ele, a medida “foi ótima para o Brasil”, e o Ministério da Fazenda prepara documentos técnicos para mostrar a estratégia do governo.
“Atingimos patamares absurdos: R$ 800 bilhões estão beneficiando determinados grupos econômicos. Isso compromete as metas fiscais, pressiona a taxa de juros e prejudica o país inteiro. Qual é o sentido?”, questionou Haddad.
A crítica vai ao centro do debate sobre justiça fiscal no Brasil, tema cada vez mais presente diante do desafio de equilibrar as contas públicas sem comprometer a capacidade de investimento do Estado.