Os índices futuros dos Estados Unidos operam em alta nesta quinta-feira (7), mesmo após a entrada em vigor de novas tarifas comerciais anunciadas pelo presidente Donald Trump. As medidas, que afetam dezenas de países — incluindo União Europeia, Japão e Coreia do Sul — impõem sobretaxas entre 15% e 41% sobre diversos produtos.
Apesar da tensão inicial, o mercado reagiu positivamente ao anúncio de que empresas que produzirem semicondutores em solo norte-americano serão isentas da nova tarifa de 100% prevista para o setor. A declaração ajudou a conter o temor sobre impactos na cadeia global de suprimentos.
A agenda econômica do dia também concentra atenções. Nos EUA, serão divulgados os pedidos semanais de auxílio-desemprego e os dados de exportação de grãos. Discursos de membros do Fed (Federal Reserve, o banco central estadunidense) e a publicação do balanço patrimonial da autoridade monetária também estão no radar.
Na Ásia, a China surpreendeu com um crescimento acelerado das exportações, o maior desde abril, mostrando resiliência mesmo diante das tarifas americanas.
Na Europa, o BoE (Banco da Inglaterra) decide hoje o rumo da taxa de juros, com expectativa de corte para 4%.
No Brasil, o destaque corporativo fica para o balanço da Petrobras (PETR4), que será divulgado após o fechamento do mercado, além dos resultados da Azul, Engie, Assaí, entre outras. A agenda doméstica ainda inclui o IGP-DI de julho e os preços ao produtor de junho.
Brasil
O Ibovespa encerrou a sessão de quarta-feira (6) em alta de 1,04%, aos 134.537,62 pontos, impulsionado por resultados corporativos positivos e alheio, ao menos por ora, ao início oficial das novas tarifas impostas pelo governo de Donald Trump. Foi a terceira alta consecutiva do índice — algo que não ocorria desde junho —, com um ganho acumulado de 1.386,32 pontos.
O movimento de valorização veio acompanhado por um dia positivo no câmbio e nos juros. O dólar recuou 0,78%, a R$ 5,463, no menor patamar desde 8 de julho, enquanto os DIs caíram em toda a curva, refletindo menor percepção de risco local no curto prazo.
Apesar da entrada em vigor das tarifas americanas, o mercado parece ter incorporado o impacto ao preço dos ativos. O foco ficou nos balanços do 2º trimestre, especialmente no desempenho de bancos. O Itaú Unibanco (ITUB4) avançou 1,26% após divulgar resultados sólidos. BBAS3 subiu 0,43% e SANB11, 0,73%. Apenas o Bradesco (BBDC4) destoou, com leve queda de 0,13%.
Europa
Os mercados europeus operam majoritariamente no campo positivo hoje, com os investidores monitorando os impactos da guerra comercial deflagrada pelo presidente dos EUA, Donald Trump. Por lá, os agentes também monitoram a decisão de juros do BoE (Banco da Inglaterra) e a divulgação de uma série de resultados corporativos, como da Siemens, Deutsche Telekom, Allianz, entre outros.
STOXX 600: +0,38%
DAX (Alemanha): +0,73%
FTSE 100 (Reino Unido): -0,34%
CAC 40 (França): +0,68%
FTSE MIB (Itália): +0,36%
Estados Unidos
Os índices futuros avançam nesta quinta-feira, com os investidores atentos aos dados semanais de pedidos de auxílio-desemprego nos Estados Unidos, além das divulgações sobre os custos unitários de mão de obra, produtividade do segundo trimestre e balanços corporativos.
Dow Jones Futuro: +0,35%
S&P 500 Futuro: +0,57%
Nasdaq Futuro: +0,61%
Ásia
As bolsas asiáticas fecharam majoritariamente em alta, com investidores avaliando a promessa do presidente dos EUA, Donald Trump, de impor uma tarifa de 100% sobre as importações de semicondutores e chips, apesar de isentar aquelas que produzem esses produtos nos EUA.
Além disso, os agentes repercutiram dados das exportações chineses, que subiram 7,2% em julho em dólares americanos em relação ao ano anterior. Já as importações aumentaram 4,1% no mês passado em relação ao ano anterior, acelerando a recuperação de 1,1% registrada em junho, seu primeiro crescimento neste ano.
Shanghai SE (China), -0,14%
Nikkei (Japão): +0,65%
Hang Seng Index (Hong Kong): +0,69%
Nifty 50 (Índia): -0,77%
ASX 200 (Austrália): -0,14%
Petróleo
Os preços do petróleo operam em alta, interrompendo uma sequência de cinco dias de perdas, devido a sinais de demanda estável nos EUA, o maior consumidor mundial de petróleo.
Petróleo WTI, +0,08%, a US$ 64,42 o barril
Petróleo Brent, +0,12%, a US$ 66,97 o barril
Agenda
Nos EUA, saem os dados do auxílio-desemprego e exportação de grãos, ambos semanais; balanço patrimonial do Federal Reserve e discurso de Raphael Bostic, membro do Fed.
Por aqui, no Brasil, as exportações brasileiras para os Estados Unidos somaram US$ 3,71 bilhões em julho, 3,8% acima do mesmo mês do ano anterior, um mês antes da sobretaxa de 50% entrar em vigor. Houve aumento nas vendas tanto de produtos isentos, como componentes de aviação civil e suco de laranja, quanto de itens taxados, como café e carne bovina. Segundo a Secretaria de Comércio Exterior do MDIC, as exportações de aeronaves cresceram 159% e sucos, 32,2%. Em contrapartida, as importações brasileiras dos EUA subiram 18,2%, chegando a US$ 4,27 bilhões, resultando em déficit comercial de US$ 560 milhões em julho. No acumulado do ano, o saldo negativo da balança com os EUA já soma US$ 2,26 bilhões.
*Com informações do InfoMoney e Bloomberg