Os economistas do mercado financeiro elevaram suas previsões para a inflação no Brasil em 2026 e passaram a projetar uma redução menor da taxa básica de juros nos próximos anos. As novas estimativas fazem parte do Boletim Focus, divulgado nesta segunda-feira (23) pelo Banco Central, com base em consultas a mais de 100 instituições financeiras.
A revisão das projeções ocorre em meio ao aumento das tensões no Oriente Médio, que impulsionou o preço do petróleo para patamares acima de US$ 100. O encarecimento da commodity tende a pressionar os combustíveis e, consequentemente, a inflação no Brasil, o que reduz o espaço para cortes mais agressivos nos juros.
Segundo o levantamento do Banco Central, a expectativa para a inflação oficial, medida pelo IPCA, subiu de 4,10% para 4,17% em 2026, marcando a segunda alta consecutiva nas projeções.
Se confirmada, a inflação ficará abaixo da registrada no ano anterior, que foi de 4,26%, mas ainda próxima do teto da meta. Para os anos seguintes, as previsões ficaram assim:
- 2027: 3,80% (estável)
- 2028: 3,52% (leve alta)
- 2029: 3,50% (estável)
Desde 2025, o Brasil adota o sistema de meta contínua de inflação, com objetivo de manter o índice em 3%, dentro de uma faixa de tolerância entre 1,5% e 4,5%.
Na prática, uma inflação mais elevada reduz o poder de compra da população, já que os preços tendem a subir mais rápido que os salários, afetando principalmente as famílias de menor renda.
Mercado prevê corte menor dos juros
Com o aumento das pressões inflacionárias, os analistas também revisaram a trajetória da taxa básica de juros (Selic), atualmente em 14,75% ao ano após o primeiro corte em quase dois anos.
As novas projeções indicam:
- 2026: Selic em 12,50% ao ano (antes 12,25%)
- 2027: 10,50% ao ano (mantida)
- 2028: 10% ao ano (mantida)
A leitura do mercado é que o Banco Central deve agir com mais cautela no ciclo de redução dos juros para evitar que a inflação volte a ganhar força.
Outra projeções do Focus
As projeções para o crescimento da economia brasileira tiveram leve ajuste. A expectativa para o Produto Interno Bruto (PIB) de 2026 subiu de 1,83% para 1,84%.
O PIB mede a soma de todos os bens e serviços produzidos no país e é o principal indicador de desempenho da economia. Em 2025, o crescimento oficial foi de 2,3%, segundo dados do IBGE.
Para 2027, a previsão de expansão econômica foi mantida em 1,8%.
No câmbio, o mercado manteve a expectativa de dólar em R$ 5,40 ao final de 2026. Já para 2027, houve leve ajuste para baixo, de R$ 5,47 para R$ 5,45.