O presidente Lula (PT) celebrou, nesta sexta-feira (7), o resultado do PIB (Produto Interno Bruto) divulgado pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) mais cedo. “PIB crescendo é mais emprego e renda na mão dos brasileiros e das brasileiras. 2025 é o ano da colheita”, escreveu Lula em seu perfil na rede social X (antigo Twitter).

O PIB avançou 3,4% no ano passado, crescimento mais forte do que o observado em 2023, quando a atividade do país cresceu 3,2%. A taxa de 2024 também foi a maior registrada desde 2021.
De acordo com o IBGE, o PIB brasileiro chegou a R$ 11,7 trilhões, puxado pelos setores de serviços e indústria, com altas de 3,7% e 3,3%, respectivamente, na comparação com 2023. Por outro lado, a agropecuária apresentou recuo de 3,2%.
O forte nível de consumo das famílias também contribuiu para a alta do PIB no ano, com uma alta de 4,8% em relação a 2023.
O crescimento do PIB nos últimos anos foi o seguinte:
- 2020 (início da pandemia): -3,3%
- 2021: 4,8%
- 2022: 3%
- 2023: 3,2%
- 2024: 3,4%
A ministra do Planejamento, Simone Tabet, também usou as redes sociais para divulgar o que chamou de “boa notícia”. “Boa notícia! O PIB per capita do Brasil em 2024 foi de R$ 55.247,45. Cresceu 3,0% em termos reais. Isso equivale a R$ 4.604 por mês por habitante. Significa aumento da renda média do brasileiro”, afirmou.
Segundo ela, agora é hora de “seguir avançando, combatendo a inflação para baratear o preço dos alimentos.”
Na véspera, o vice-presidente e ministro do MDIC (Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços), Geraldo Alckmin, anunciou medidas para tentar baratear os preços dos alimentos, que virou o grande foco do governo Lula este ano.
Uma das decisões foi zerar a tarifa de importação para alguns alimentos, como carne, café, açúcar, milho e azeite de oliva.
Crescimento do PIB está um pouco abaixo do que previam Fazenda e BC
O Ministério da Fazenda, assim como o Banco Central, projetavam o crescimento da economia brasileira em 3,5% no ano passado. Já a mediana dos analistas consultados para o Boletim Focus do BC previam um avanço para 3,39%.
No último trimestre do ano, o PIB brasileiro teve uma leve alta de 0,2%, abaixo dos números observados nos outros trimestres do ano. Isso significa que o aperto monetário iniciado pelo Banco Central, a partir de dezembro, já está surtindo o efeito esperado de desacelerar a atividade econômica, o que começou a acontecer nos meses entre outubro e dezembro.
E 2025? Economista do ICL explica
A Secretaria de Política Econômica (SPE) do Ministério da Fazenda manteve nesta sexta-feira expansão de 2,3% para o PIB em 2025, com desaceleração frente ao ritmo de expansão da economia no ano passado. Essa é mesma projeção divulgada no mês passado pelo governo.
A expectativa de um crescimento menor da economia neste ano acontece em um cenário de juros altos, com a taxa básica da economia atualmente em 13,25% ao ano, para conter o crescimento da inflação. Esse é o maior juro real do mundo (quando descontada a inflação).
“A partir do segundo trimestre de 2025, a contribuição do setor agropecuário para o crescimento deverá se tornar negativa, junto com a redução na expansão de atividades cíclicas. Para a segunda metade do ano, a perspectiva é de que o ritmo de crescimento se mantenha próximo à estabilidade, refletindo menores impulsos vindos dos mercados de crédito e de trabalho em função do patamar contracionista da política monetária [alta de juros]”, informou o Ministério da Fazenda.
O economista do ICL, André Campedelli, explicou na edição desta sexta do programa Mercado e Investimentos que estamos em uma das melhores sequências de crescimento econômico dos últimos tempos e, segundo ele, isso se deve ao incremento do gasto público.
“Agora a gente já vê o gasto público gerando sua própria demanda e até o setor privado crescendo bastante neste momento. (…) Mas agora a gente está vendo uma Selic muito elevada, uma tendência de redução no ritmo do gasto público para seguir as normas do arcabouço fiscal”, explicou. Neste sentido, Campedelli acredita no quebra desse ritmo de crescimento, inclusive porque a Selic alta vai impactar também no fôlego do setor privado.
Setor agropecuário
Embora o PIB do setor agropecuário também tenha encolhido este ano, a expectativa é de que, em 2025, voltará a impulsionar o crescimento do PIB.
No mês passado, o governo publicou uma MP (medida provisória) que libera R$ 4,18 bilhões em crédito extraordinário para o Plano Safra deste ano. O dinheiro assegurará a continuidade do programa, suspensas por causa da não aprovação do Orçamento de 2025.
Além disso, o governo conta com safras maiores para ajudar a controlar os preços dos alimentos, que têm afetado a inflação.
No primeiro semestre deste ano, analistas preveem, por exemplo, uma safra recorde de grãos, principalmente a da soja.
Segundo o mais recente boletim da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento), a safra 2024/2025 deverá colher um recorde de 325,7 milhões de toneladas de grãos, alta de 9,4% ante a safra 2023/2024.