Os mercados globais começam esta quarta-feira (1º) em tom positivo, impulsionados por sinais de desescalada no conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã. Declarações do presidente Donald Trump indicando uma possível retirada das tropas em até duas semanas aliviaram as tensões e provocaram queda nos preços do petróleo, com o Brent chegando a recuar abaixo de US$ 100 por barril.
Apesar do movimento, os preços da energia ainda permanecem cerca de 40% acima dos níveis anteriores ao agravamento da crise, refletindo os impactos da restrição no Estreito de Ormuz — rota estratégica responsável por aproximadamente um quinto da oferta global de petróleo. A incerteza sobre a reabertura total da passagem e os riscos à infraestrutura seguem no radar dos investidores.
O cenário permanece volátil, com sinais contraditórios de Washington. Ao mesmo tempo em que acena para um acordo, o governo dos EUA mantém presença militar reforçada na região, indicando que uma escalada não está descartada.
No campo macroeconômico, o avanço dos preços de energia intensifica preocupações inflacionárias, especialmente nos EUA, onde a gasolina voltou a superar US$ 4 por galão. O tema pode ampliar a pressão política sobre a Casa Branca.
A agenda deste 1º dia de abril traz indicadores relevantes da atividade industrial global, com a divulgação dos índices PMI em diversas economias, além de dados de emprego e consumo nos Estados Unidos. Esses números devem ajudar a calibrar as expectativas sobre o ritmo da economia global em meio ao ambiente ainda marcado por incertezas geopolíticas.
Brasil
O Ibovespa avançou 2,71% nesta terça-feira (31), aos 127.461 pontos, em movimento alinhado ao apetite global por risco diante de sinais de possível arrefecimento da guerra no Oriente Médio. Apesar do forte desempenho no dia, o índice encerrou março em queda de 0,70%, o primeiro mês negativo desde julho de 2025. No acumulado do primeiro trimestre, porém, ainda registra alta expressiva de 16,35%.
No mercado de commodities, o petróleo seguiu volátil: o Brent voltou a se aproximar de US$ 120, enquanto o WTI recuou. Já o dólar caiu 1,31%, a R$ 5,179, influenciado também pela formação da PTAX, enquanto a curva de juros futuros (DIs) cedeu ao longo de todos os vencimentos.
Europa
As bolsas europeias operam no campo positivo, após registrarem seu pior mês desde 2022 em março. Logo após a abertura do pregão de hoje, o índice regional Stoxx 600 registrava alta de 2%, impulsionada pelos principais setores, exceto as ações de petróleo e gás, que caíam.
STOXX 600: +2,15%
DAX (Alemanha): +2,18%
FTSE 100 (Reino Unido): +1,76%
CAC 40 (França): +1,88%
FTSE MIB (Itália): +2,93%
Estados Unidos
Os índices futuros dos Estados Unidos subiam nesta quarta-feira em meio às notícias sobre a desescalada da guerra, enquanto os preços do petróleo operavam em queda.
Dow Jones Futuro: +0,46%
S&P 500 Futuro: +0,44%
Nasdaq Futuro: +0,63%
Ásia
As bolsas asiáticas fecharam em alta expressiva na quarta-feira, acompanhando Wall Street, em meio a um possível fim do conflito no Oriente Médio.
Shanghai SE (China), +1,46%
Nikkei (Japão): +5,24%
Hang Seng Index (Hong Kong): +2,04%
Nifty 50 (Índia): +1,73%
ASX 200 (Austrália): +2,24%
Petróleo
Com a sinalização do presidente dos EUA, Donald Trump, de um possível fim para o conflito no Oriente Médio, os preços do petróleo brent reagiram com queda nesta quarta-feira. O contrato para junho chegou a cair mais de 4% em determinado momento.
Petróleo WTI, -1,65%, a US$ 99,72 o barril
Petróleo Brent, -1,20%, a US$ 102,72 o barril
Agenda
Nos EUA, são aguardados os dados do emprego privado (ADP) de março, as vendas no varejo de fevereiro, o PMI e o ISM da indústria (final) de março, e os estoques empresariais de janeiro.
Na zona do euro, saem os dados do PMI Indústria (final) de março e os dados do emprego de fevereiro.
Por aqui, no Brasil, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou na terça-feira que seu governo vai empreender todos os esforços para evitar a alta do preço do óleo diesel, que tem efeito inflacionário sobre os alimentos, e defendeu que a guerra no Irã, promovida pelos Estados Unidos e Israel, não pode prejudicar os brasileiros. O governo já lançou mão de medidas tributárias e de fiscalização para conter a alta dos preços, mas segue acompanhando a alta dos preços dos combustíveis com atenção, dada a importância do tema no custo de vida da população e seus impactos na popularidade do presidente, que tentará a reeleição em outubro.
*Com informações do InfoMoney e Bloomberg