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A escalada das tensões entre Estados Unidos e Irã provocou forte aversão ao risco nos mercados globais nesta segunda-feira (23), após ameaças mútuas envolvendo o controle do Estreito de Ormuz — rota estratégica para o transporte de petróleo.

No fim de semana, o presidente Donald Trump afirmou que poderá atacar infraestruturas energéticas iranianas caso o país não reabra a passagem em até 48 horas. Em resposta, Teerã indicou que manterá o bloqueio e intensificou ações militares na região.

O cenário elevou os preços do petróleo a patamares próximos ou acima de US$ 100 por barril, enquanto as bolsas mundiais recuaram e os juros avançaram diante do risco de pressão inflacionária. O movimento reflete o temor de choque de oferta de energia, com impacto direto sobre políticas monetárias.

Nos mercados financeiros, investidores passaram a precificar juros mais altos por mais tempo, especialmente em economias desenvolvidas, enquanto ativos considerados seguros tiveram desempenho misto.

No Brasil, a semana começa com foco na divulgação do Boletim Focus e, nos próximos dias, na ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central e no Relatório de Política Monetária, que devem sinalizar os próximos passos da taxa básica de juros.

Sem indicadores relevantes nos EUA, a atenção se volta para discursos de dirigentes do Federal Reserve, o banco central estadunidense, em busca de pistas sobre como a autoridade monetária deve reagir a um eventual choque persistente nos preços do petróleo.

Brasil

O Ibovespa encerrou a sexta-feira (20) em forte queda, pressionado pelo aumento da aversão ao risco nos mercados globais diante da escalada do conflito no Oriente Médio e seus possíveis impactos na economia mundial.

O principal índice da B3 recuou 2,25%, fechando aos 176.219 pontos. Com isso, acumulou perda de 0,81% na semana e ampliou o recuo no mês para 6,66%. Apesar do cenário negativo recente, o desempenho no ano ainda é positivo, com alta de 9,37%.

Europa

As bolsas europeias acompanharam a queda dos mercados asiáticos, com os agentes de olho na escalada na guerra entre Estados Unidos, Israel contra o Irã. O índice pan-europeu Stoxx 600 recuava 1,6% pouco depois das 8h em Londres (4h em Nova York), com todas as principais bolsas e setores firmemente no campo negativo.

STOXX 600: -1,78%
DAX (Alemanha): -2,09%
FTSE 100 (Reino Unido): -1,64%
CAC 40 (França): -1,62%
FTSE MIB (Itália): -2,06%

Estados Unidos

Os índices futuros de Nova York operam no campo negativo hoje, com os agentes acompanhando os desdobramentos da escalada do conflito no Oriente Médio, enquanto acompanham a divulgação do Índice de Atividade Nacional (CFNAI), do Federal Reserve, o banco central estadunidense.

Dow Jones Futuro: -0,45%
S&P 500 Futuro: -0,63%
Nasdaq Futuro: -0,73%

Ásia

Os mercados asiáticos desabam hoje, com os principais índices no Japão e na Coreia do Sul recuando até 5%. Assim como nos demais mercados, o foco das atenções é a escalada do conflito no Oriente Médio, que entrou em sua quarta semana.

Shanghai SE (China), -3,63%
Nikkei (Japão): -3,48%
Hang Seng Index (Hong Kong): -3,54%
Nifty 50 (Índia): -1,97%
ASX 200 (Austrália): -0,75%

Petróleo

Os preços sobem hoje, com os traders avaliando a possibilidade de uma nova escalada do conflito no Oriente Médio depois que o presidente dos EUA, Donald Trump, exigiu que o governo iraniano reabra o Estreito de Hormuz ou enfrente ataques à sua infraestrutura energética.

Petróleo WTI, +1,40%, a US$ 99,59 o barril
Petróleo Brent, +1,65%, a US$ 114 o barril

Agenda

Na zona do euro, serão divulgados hoje os dados da confiança do consumidor de março.

Por aqui, no Brasil, o preço do diesel subiu 20,6% na segunda semana de março comparada à semana de 22 a 28 de fevereiro, para R$ 7,65 o litro segundo levantamento nos postos de abastecimento da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), divulgado na sexta-feira (20), em meio a um cenário de preços elevados dos derivados de petróleo por causa do conflito no Oriente Médio. Somente na semana após o reajuste da Petrobras, de 15 a 21 de março, o combustível que depende de importações subiu 6,6% ante a semana anterior.

*Com informações do InfoMoney e Bloomberg

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