Moraes mantém prisão de tenente-coronel acusado de participar da tentativa de golpe

Decisão do STF aponta que liberdade de Rodrigo Bezerra representa risco à ordem pública e à Justiça
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Por Cleber Lourenço 

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, decidiu manter a prisão preventiva do tenente-coronel Rodrigo Bezerra de Azevedo, apontado como integrante do chamado núcleo 3 da tentativa de golpe de Estado. Segundo a Procuradoria-Geral da República, o grupo era formado por militares das Forças Especiais do Exército — identificados na investigação como os “kids pretos” — e teria executado a parte operacional do plano que visava impedir a posse de Lula e Geraldo Alckmin em 2023.

Na decisão assinada em 1º de julho, Moraes afirmou que o núcleo 3 elaborou ações que iam desde o monitoramento de ministros do STF até o planejamento de assassinatos. “A finalidade, inicialmente, era o monitoramento de ministro do Supremo Tribunal Federal para execução de sua prisão ilegal e possível assassinato e, posteriormente, o planejamento dos homicídios do presidente e vice-presidente eleitos”, destaca o despacho. Os atos faziam parte da chamada “Operação Copa 2022”, nome adotado entre os conspiradores para se referir ao golpe.

Tenente-coronel

Rodrigo Bezerra foi denunciado pela PGR em fevereiro por organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, dano qualificado contra o patrimônio da União e deterioração de patrimônio tombado. O STF já recebeu a denúncia e o considera réu formal no processo.

Tenente-coronel
Tenente-coronel Rodrigo Azevedo em audiência, após ser preso pela PF por trama golpista. (Foto: Reprodução)

A manutenção da prisão se apoia em provas apresentadas pela Polícia Federal, incluindo mensagens que mostram a confiança de outros investigados em Rodrigo Bezerra e o vínculo dele com aparelhos utilizados durante as ações clandestinas em dezembro de 2022. Em resposta, a defesa alegou ausência de contemporaneidade entre os fatos e a decretação da prisão, e pediu substituição por medidas cautelares, o que foi rejeitado pelo Supremo.

A PGR também sustentou que o grupo, do qual Bezerra faria parte, “liderou ações de campo voltadas ao monitoramento e à neutralização de autoridades públicas, em contexto de estabelecimento de estratégias e etapas de realização de ruptura institucional no país”.

Apesar da tentativa da defesa de descaracterizar sua presença nos locais das ações, a Corte considerou que a gravidade dos atos, a articulação com outros denunciados e o risco de obstrução da justiça justificam a permanência de Bezerra na prisão.

 

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