As autoridades do Tennessee, nos Estados Unidos, não conseguiram executar Christa Gail Pike nesta quarta-feira (30), mesmo após a aplicação de duas doses de pentobarbital, medicamento utilizado na injeção letal. A condenada permaneceu viva e foi levada de ambulância a um hospital.
Após o episódio, o governador do estado, Bill Lee, determinou uma investigação independente e suspendeu as execuções no Tennessee até o fim do ano. Havia apenas outra execução prevista no período.
Pike, de 50 anos, seria a primeira mulher executada no Tennessee em mais de 200 anos. Ela foi condenada pela morte de Colleen Slemmer, de 19 anos, assassinada em 1995.
Segundo testemunhas, Pike permaneceu acordada durante parte do procedimento e chegou a perguntar aos funcionários da prisão se o braço deveria estar daquela maneira. A segunda dose foi administrada às 20h26. Depois disso, testemunhas ainda relataram que ela continuava roncando.
Robin M. Maher, diretora-executiva do Death Penalty Information Center, afirmou que o episódio não tem precedente. Segundo ela, outras pessoas já sobreviveram a problemas durante execuções por dificuldades no acesso às veias, mas ninguém havia permanecido vivo após receber os medicamentos usados no procedimento.
A execução havia sido inicialmente suspensa por um tribunal de apelações, que pediu mais tempo para analisar alegações de abuso sexual na infância apresentadas por Pike. Horas depois, a Suprema Corte dos Estados Unidos autorizou a continuidade do procedimento.
Pike não contesta ter cometido o assassinato. Seus defensores, porém, sustentam que deveriam ser consideradas as circunstâncias de sua vida e a idade que tinha quando cometeu o crime, aos 18 anos.
O caso também ocorre meses depois de outra execução frustrada no Tennessee. Em maio, a aplicação de pentobarbital em Tony Carruthers foi cancelada após os responsáveis passarem mais de uma hora tentando obter acesso intravenoso.
Pike foi condenada pelo assassinato de Slemmer, que foi esfaqueada e espancada em Knoxville. O crime ganhou repercussão durante o chamado “pânico satânico” das décadas de 1980 e 1990, após um pentagrama ser gravado no corpo da vítima.
O namorado de Pike à época, que tinha 17 anos quando o crime ocorreu, também foi condenado, mas recebeu prisão perpétua com possibilidade de liberdade condicional. Pike foi a única dos dois condenada à morte.