O presidente da federação PSOL-Rede, Juliano Medeiros, afirmou nesta terça-feira (8) que iniciou uma consulta a outros partidos de esquerda para discutir a apresentação de um pedido coletivo de impeachment do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF).
“Como presidente da federação PSOL-Rede estou iniciando uma consulta aos demais partidos da esquerda sobre um pedido coletivo de impeachment de André Mendonça”, escreveu Medeiros nas redes sociais.
Na sequência, o dirigente partidário fez duras críticas à atuação do ministro e o comparou ao ex-juiz Sergio Moro. Segundo Medeiros, Mendonça estaria ultrapassando os limites de suas atribuições e utilizando decisões judiciais com objetivos políticos.
“Mendonça é novo Sérgio Moro: passa de todos os limites das suas atribuições, faz política com decisões judiciais e blinda seus aliados. Tudo para interferir no resultado das eleições”, afirmou.
Medeiros também associou a atuação do ministro ao grupo político do ex-presidente Jair Bolsonaro e defendeu uma reação dos partidos de esquerda.
“É evidente que o aliado dos Bolsonaro vai fazer de tudo pra recolocar o seu grupo político no poder, custe o que custar. Precisamos impedi-lo”, declarou.

A manifestação ocorre em meio ao aumento da tensão envolvendo Mendonça, a Polícia Federal e outros integrantes do STF. Nesta terça, o ministro determinou o afastamento preventivo de Andrei Rodrigues do comando da PF, decisão que ampliou a crise institucional em torno da Corte.
A Advocacia-Geral da União (AGU) vai contestar a medida no STF, segundo apuração do ICL Notícias. O órgão argumentará que a decisão monocrática viola uma competência privativa do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Também nesta terça, porém, a Segunda Turma do STF formou maioria para manter o afastamento de Andrei. Luiz Fux e Nunes Marques acompanharam Mendonça, relator do caso, formando um placar de 3 a 0 pela manutenção da medida.
A maioria foi alcançada mesmo após Gilmar Mendes pedir vista e interromper o julgamento. A sessão virtual extraordinária começou às 10h e, cinco minutos depois, Gilmar solicitou mais tempo para analisar o processo. Fux e Nunes Marques, no entanto, anteciparam seus votos e acompanharam Mendonça.