Alckmin deve discutir sobretaxas de Trump com secretário de Comércio dos EUA nesta 6ª

A reunião, que teria sido pedida por Alckmin, será por videoconferência
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O vice-presidente e ministro do MDIC (Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio), Geraldo Alckmin, vai se reunir nesta sexta-feira (28) com o secretário de Comércio americano, Howard Lutnick. O tema da conversa, segundo reportagem de O Globo, deve ser a aplicação das sobretaxas anunciadas pelo presidente norte-americano, Donald Trump, às importações de aço, alumínio e outros produtos brasileiros, como o etanol.

A reunião, que teria sido pedida por Alckmin, será por videoconferência. Esse é o primeiro movimento concreto do Brasil para uma negociação desde que o pacote de tarifas de Trump foi anunciado.

Embora o presidente Lula (PT) tenha dito que adotaria o princípio da reciprocidade, que está dentro das regras do comércio internacional, o governo brasileiro tem adotado uma postura bastante cuidadosa para lidar com o tema. Afinal, os Estados Unidos são o segundo maior parceiro comercial do Brasil, atrás apenas da China. O Brasil também é o segundo maior exportador de aço aos EUA, com o Canadá na dianteira.

A escolha de Alckmin para mediar as negociações é pelo fato de o vice-presidente ser considerado, tanto pelo Palácio do Planalto como pelo Itamaraty, como a pessoa certa para fazer essa ponte.

Ele deverá argumentar que as exportações brasileiras não representam uma ameaça às indústrias norte-americanas, como Trump quer fazer crer. Alckmin deve explorar o fato de que as economias não são concorrentes, mas sim, complementares.

Como a função de representante comercial da Casa Branca ainda está vaga, coube ao secretário de Comércio, que não tem a função de negociar acordos, participar da reunião com Alckmin.

O indicado por Trump para assumir a vaga é Jamieson Greer, que precisa ser aprovado pelo Senado americano.

Tarifaço de Trump até o momento

Desde que tomou posse, em 20 de janeiro, Trump anunciou uma série de tarifas contra parceiros comerciais históricos, como México, Canadá e China. Algumas já estão em vigor, outras ainda estão na fase de ameaça, mais ou menos iminente.

Veja abaixo algumas das tarifas já anunciadas:

  • Em 1º de fevereiro, o republicano anunciou que imporia tarifas de 25% sobre produtos do Canadá e do México e um adicional de 10% sobre todos os bens chineses, a partir de 4 de fevereiro. Os três países prometeram retaliar imediatamente.
  • Canadá e México conseguiram um adiamento de 30 dias na última hora. A China não obteve o mesmo benefício. Em revide, o governo chinês impôs novas barreiras aduaneiras a produtos dos Estados Unidos.
  • O adiamento obtido por mexicanos e canadenses vence em 4 de março. Trump já avisou que as tarifas entrarão em vigor conforme o cronograma previsto.
  • Washington prevê uma taxação menor sobre o setor energético do Canadá, de 10%, devido à sua importância para as importações americanas.
  • Ele também anunciou que os Estados Unidos aumentarão ainda mais as tarifas sobre produtos chineses, em 10%, também em 4 de março.
  • Trump disse na quarta-feira (26) que anunciará, em breve, tarifas sobre produtos importados da União Europeia. As taxas, segundo ele, devem ser de 25%. “Nós tomamos uma decisão, vamos anunciá-la muito em breve. Será de 25%, de maneira geral. Em carros e algumas outras coisas”, afirmou Trump.
  • Em fevereiro, Donald Trump assinou decretos para impor tarifas de 25% sobre aço e alumínio que entrarem nos Estados Unidos a partir de 12 de março. Ele alega querer proteger as indústrias nacionais, pois acredita que foram prejudicadas “pelas práticas comerciais desleais e pelo excesso de produção global”.
  • A partir de 2 de abril, o presidente deve import tarifas “recíprocas” aos parceiros comerciais dos Estados Unidos. Para ele, isso significa reduzir as disparidades: se um produto americano for taxado em 40% ao entrar em um país, Washington imporá o mesmo nível de tarifas na direção oposta.

 

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