Taxa de juros: Incerteza global divide mercado sobre decisão do Copom

Banco Central havia sinalizado que poderia iniciar a flexibilização dos juros, mas guerra no Irã mudou expectativas do mercado
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A escalada das tensões no Oriente Médio e a consequente alta do petróleo estão mudando o cenário para a política monetária no Brasil. Diante do risco de uma nova pressão inflacionária global, bancos e casas de análise passaram a revisar suas projeções para a taxa básica de juros, a Selic. A decisão do Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central do Brasil, será divulgada nesta quarta (17), às 18h30.

Até pouco tempo, a expectativa predominante era de início do ciclo de cortes já em março, com redução de até 0,50 ponto percentual. No entanto, após a disparada do petróleo — que chegou a superar os US$ 100 por barril com o agravamento do conflito envolvendo Irã, Estados Unidos e Israel — o mercado passou a adotar uma postura mais cautelosa.

Agora, grandes instituições financeiras como Itaú, Goldman Sachs, Citigroup, BNP Paribas, Bank of America, Santander e BTG Pactual passaram a prever um corte mais moderado, de 0,25 ponto percentual. Há ainda quem já considere a possibilidade de manutenção da Selic no patamar atual de 15% ao ano.

O próprio Banco Central havia sinalizado, na reunião de janeiro, que poderia iniciar a flexibilização dos juros caso houvesse confirmação de desaceleração econômica. Ainda assim, reforçou o compromisso de manter uma política monetária restritiva até garantir a convergência da inflação à meta de 3%.

Guerra mudou expectativas em relação à taxa de juros

Os dados mais recentes, porém, indicam piora nas expectativas. Segundo o boletim Focus, a projeção de inflação para o fim do ano subiu para 4,10%, enquanto a estimativa para a Selic também avançou.

Entre as análises mais cautelosas, a XP Investimentos passou a projetar a manutenção dos juros, destacando a deterioração do cenário inflacionário desde a última reunião do Copom. Já o Citigroup avalia que o Banco Central deve reforçar um discurso de vigilância diante das incertezas externas.

Por outro lado, algumas casas ainda defendem um corte maior. Para a Monte Bravo, uma redução de apenas 0,25 ponto teria pouco impacto, já que os juros continuariam em nível bastante restritivo mesmo com um corte mais significativo.

Enquanto isso, a atividade econômica brasileira segue mostrando sinais de resiliência. O IBC-Br, indicador considerado uma prévia do PIB, avançou 0,8% em janeiro, impulsionado principalmente pelos setores de serviços e indústria, apesar da queda na agropecuária.

Com esse cenário misto — atividade ainda firme e inflação sob pressão — a decisão do Banco Central ganha ainda mais relevância, em um momento de elevada incerteza no cenário global.

 

Em um cenário global instável, até decisões já sinalizadas podem mudar de direção. No ICL, você encontra uma comunidade que acompanha política monetária com leitura crítica e atenção ao contexto internacional. Aqui, juros, inflação e cenário externo são analisados como partes de um mesmo movimento. Faça parte!

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