Por Iago Filgueiras
Nos últimos anos, o Supremo Tribunal Federal (STF) se tornou cada vez mais presente no noticiário brasileiro. Entre julgamentos altamente relevantes, como os relacionados à tentativa de golpe que culminou nos atos de 8 de janeiro de 2023, ou à descriminalização do porte de maconha para consumo pessoal, a Corte vem protagonizando momentos emblemáticos da história recente da República.
Com seus ministros recebendo cada vez mais holofotes, questionar-se sobre “quantos ministros tem o STF” e quais são eles tornou-se comum. Mas, em 2026, essas perguntas ganharam uma camada perigosa, que coloca em risco a imagem do próprio Supremo. Do total de onze cadeiras que compõem a Corte, quantas são ocupadas por ministros que possuem alguma ligação com o caso Master?
O que inicialmente era uma investigação financeira acabou produzindo questionamentos sobre conflitos de interesse, procedimentos adotados dentro do próprio Supremo e os limites da imparcialidade para investigar ministros da própria Corte. A sucessão de decisões divergentes obrigou o caso a ser levado a plenário e colocou em debate não apenas eventuais responsabilidades individuais, mas também a imagem institucional do STF, que, pela primeira vez na história, deve decidir se vai investigar um dos seus próprios ministros.
Entender a crise, portanto, exige separar as diferentes investigações, identificar quem aparece em cada uma delas e compreender o que efetivamente está em julgamento no STF. Em um caso ainda aberto, ser citado em uma mensagem, manter contato com um investigado ou ter um familiar mencionado em documentos não significa, por si só, participação em irregularidades.
Qual a origem da crise do STF?
A crise desencadeada no Supremo Tribunal Federal em setembro de 2026 é um dos desdobramentos do caso que começou com a investigação da fraude do Banco Master e de operações financeiras realizadas pelo grupo controlado por Daniel Vorcaro. O escândalo é tão grave que as liquidações de todas as empresas ligadas ao Master já provocaram um rombo de quase R$ 52 bilhões no Fundo Garantidor de Crédito (FGC) — entidade que protege o dinheiro de correntistas e investidores caso uma instituição financeira quebre ou sofra intervenção do Banco Central.
Em novembro de 2025, o banqueiro foi preso pela Polícia Federal no âmbito da Operação Compliance Zero, que passou a apurar fraudes financeiras bilionárias e suspeitas de corrupção envolvendo o agora extinto Banco Master. No mesmo dia, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial da instituição, citando uma grave crise de liquidez, comprometimento de sua situação econômico-financeira e violações às normas do Sistema Financeiro Nacional.
Na operação, houve ainda outra apreensão que parece ter sido capaz de abalar a República: o celular de Vorcaro.

Com o aparelho em mãos, as investigações passaram a reconstituir não apenas as movimentações financeiras, mas a investigar como um esquema tão suspeito foi capaz de se desenrolar sem grandes percalços desde 2019. Como parte da apuração, a PF identificou contatos com empresários, políticos, advogados e integrantes de instituições públicas, enquanto diferentes informações extraídas do aparelho passaram a alimentar novas frentes investigativas.
Parte desse material passou a mencionar ministros do STF, familiares e pessoas próximas a integrantes da Corte. Os nomes, porém, aparecem em situações diferentes — de encontros e conversas às relações profissionais atribuídas a familiares. Ou seja, nem todas as conexões são, efetivamente, indícios de alguma ilegalidade. Elas revelam, no entanto, o alcance da rede de relações construída por Vorcaro em diferentes espaços de poder. Foi esse material que, meses depois, ajudou a desencadear uma crise interna no Supremo.
Por que o caso Master é tão grave?
A gravidade do caso Master se escora, principalmente, em dois fatores: o alto nível das supostas fraudes cometidas pela instituição financeira com o uso de dinheiro público e o grau de acesso a altos cargos do funcionalismo público que o banqueiro Daniel Vorcaro precisou ter para seguir adiante com a operação.
As investigações apontam para um sistema que envolvia bilhões de reais, estruturas pouco transparentes, recursos públicos e uma rede de relações que alcançava diferentes esferas do poder político e institucional. As impressões digitais de Vorcaro aparecem em diferentes contextos, de Norte a Sul do país. Da tentativa fracassada do governo do Distrito Federal de comprar o Master e salvá-lo da falência por meio do banco estatal BRB, aos repasses milionários feitos pelo banqueiro para a produção do filme Dark Horse, cinebiografia de Jair Bolsonaro.
Mas há uma camada dramática na origem dos rendimentos do Master: a aposentadoria de milhões de pessoas. Dezenas de fundos previdenciários estaduais e municipais investiram centenas de milhões de reais em títulos do Master, muitos deles sem qualquer cobertura do Fundo Garantidor de Crédito.
Só a Rioprevidência, sob a gestão de Deivis Marcon Antunes, nomeado pelo então governador carioca Cláudio Castro (PL), investiu R$ 1 bilhão no banco. Já a Amapá Previdência, que tinha como presidente Jocildo Silva Lemos, ex-tesoureiro do presidente do Senado Davi Alcolumbre (PL-AP), investiu cerca de R$ 400 milhões. Outros fundos destinados à aposentadoria de servidores municipais de diversas cidades do país também tiveram recursos expostos.
Na prática, o caso Master e a prisão do banqueiro ultrapassam o prejuízo de investidores privados e revelam uma extensa rede de poder que envolve dinheiro público, fraudes bilionárias e uma proximidade com tomadores de decisão que coloca em risco o funcionamento e a confiança nas instituições da República.
Veja mais detalhes sobre a cronologia do caso Master em: Banco Master: o que aconteceu? A linha do tempo completa do escândalo que conecta mercado, política e crime
Como o caso Master foi parar no Supremo Tribunal Federal?
Entender o caso que deu origem à crise ajuda a explicar uma parte da história. Mas não tudo. Originalmente, a investigação contra o Banco Master tramitava na Justiça Federal em Brasília, sem qualquer envolvimento do STF.
Em novembro de 2025, no entanto, a defesa de Daniel Vorcaro pediu que o caso fosse remetido ao Supremo. A justificativa foi o fato de a PF ter encontrado, durante uma busca e apreensão, documento relacionado a uma negociação imobiliária que citava o deputado federal João Carlos Bacelar (PL-BA). Segundo a legislação brasileira, determinados cargos públicos têm foro privilegiado. Na prática, isso significa que eles só podem ser julgados por instâncias específicas e, no caso de um deputado federal, o julgamento deve ser conduzido pelo Supremo.
Ainda em 2025, no dia 28 de novembro, o processo chegou ao Supremo e foi distribuído por sorteio a Dias Toffoli. Em 3 de dezembro, o ministro determinou que a investigação fosse remetida ao STF diante da possibilidade de envolvimento de autoridades com foro na Corte. Toffoli também manteve as medidas cautelares e o sigilo que já haviam sido determinados na primeira instância.
Com o avanço das investigações, no início de 2026, o próprio ministro passou a ser citado em reportagens e documentos relacionados ao caso e vazados à imprensa. Embora tenha negado no princípio, posteriormente Dias Toffoli reconheceu ser sócio da Maridt, uma empresa familiar que fez parte de um empreendimento hoteleiro no Paraná: o resort Tayayá. Essa participação, no entanto, foi adquirida pelo fundo de investimentos Arleen, posteriormente relacionado pela investigação à rede de negócios de Daniel Vorcaro.
Toffoli afirmou que as operações foram legais, declarou não ter recebido dinheiro de Vorcaro e negou qualquer amizade com o banqueiro. No entanto, as suspeitas foram suficientes para manter a continuidade do ministro no caso insustentável e, em fevereiro de 2026, ele decidiu deixar a relatoria. O caso foi posteriormente redistribuído por sorteio e passou às mãos de André Mendonça.
Quantos ministros tem o STF e quantos foram citados no caso Master?
Entender quantos ministros tem o STF é um dos pontos que ajuda a entender a extensão da crise.
A Constituição determina que o Supremo Tribunal Federal seja composto por 11 ministros, indicados pelo presidente da República e nomeados após aprovação do Senado. Os integrantes permanecem no cargo até a aposentadoria compulsória aos 75 anos, a menos que deixem a Corte antes disso.
Em setembro de 2026, no entanto, o Supremo contava com 10 ministros nomeados, já que em novembro de 2025 o então ministro Luís Roberto Barroso decidiu se aposentar espontaneamente, aos 67 anos. O Senado, no entanto, recusou o nome de Jorge Messias, indicado pelo presidente Lula (PT) para ocupar a vaga, que segue pendente.
Saiba quem são os integrantes do Supremo Tribunal Federal:
- Edson Fachin
- Gilmar Mendes
- Cármen Lúcia
- Dias Toffoli
- Luiz Fux
- Alexandre de Moraes
- Nunes Marques
- André Mendonça
- Cristiano Zanin
- Flávio Dino
A dimensão da crise
Considerando uma Corte ocupada por dez pessoas, chama atenção que pelo menos cinco cadeiras do STF estejam relacionadas, de formas distintas, a menções encontradas nas investigações sobre Daniel Vorcaro — seja de forma direta, com o ministro, seja de forma indireta, por ligações com familiares ou pessoas próximas aos magistrados.
São eles:
- Alexandre de Moraes
- André Mendonça
- Dias Toffoli
- Luiz Fux
- Kássio Nunes Marques
Entre eles estão Dias Toffoli, que se retirou da relatoria do caso no início de 2026, após a imprensa revelar conexões entre ele e pessoas próximas a Vorcaro, e André Mendonça, que deixou de ser relator em meio à crise do Supremo deflagrada no início de setembro.
Veja no card abaixo como cada nome se conecta ao caso Master e o que dizem os ministros citados:
Linha do tempo: da crise pública à quebra do sigilo das investigações

A crise no Supremo Tribunal Federal veio a público no início de setembro de 2026, tomando conta do noticiário nacional e motivando pedidos de investigação contra integrantes da própria Corte. Mas observar parte da cronologia ajuda a compreender como o conflito escalou.
Ainda em agosto
No final de agosto, André Mendonça, então responsável pelos procedimentos do caso Master, determinou que a Polícia Federal identificasse pessoas mencionadas no material extraído do celular de Vorcaro e analisasse as comunicações relacionadas a autoridades com foro.
O relatório entregue pela PF em 27 de agosto tinha 218 páginas e reunia dados extraídos do aparelho apreendido em novembro de 2025.
1º de setembro
Menos de uma semana depois, no dia 1º de setembro, partes do documento com diálogos entre Vorcaro e Moraes começam a vazar na imprensa e vieram a público em matéria do Estadão. No mesmo dia, Mendonça retirou o sigilo da petição que continha o relatório da PF. A conversa envolvendo o ministro, no entanto, não continha o envio de mensagens diretas. Segundo as investigações, Vorcaro teria escrito algo no bloco de notas do celular, tirado uma captura de tela e, em seguida, enviado a imagem de visualização única para Moraes. Não consta, porém, uma resposta do ministro.
Mendonça encaminhou à Presidência do STF a discussão sobre o relatório. No mesmo período, a Procuradoria-Geral da República questionou a validade da apuração e defendeu que o material não poderia, nos termos em que havia sido produzido, fundamentar uma investigação contra Moraes.
Qual o teor das mensagens contidas no relatório?
Entre as informações que constavam no documento, estava a existência de um contrato assinado entre o banco Master e o escritório de advocacia de Viviani Barci de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes.
O contrato, de aproximadamente R$ 131 milhões, já havia sido revelado em janeiro de 2026 pela jornalista Malu Gaspar, d’O Globo. A novidade estava nos metadados de uma versão encontrada no celular de Vorcaro: os registros indicavam que o documento havia sido editado por um perfil identificado como “Ministro Alexandre de Moraes”. O escritório confirmou que Moraes foi consultado antes da assinatura, mas afirmou que a análise teve como objetivo verificar eventuais impedimentos legais e que o ministro nunca havia julgado processos relacionados ao Banco Master.
Além disso, a troca de mensagens ainda revelou outros detalhes da proximidade entre Vorcaro e Moraes. Os dois teriam se encontrado de forma privada por intermédio de Fábio Faria, ex-ministro das Comunicações no governo de Jair Bolsonaro. Em uma das mensagens identificadas no aparelho do banqueiro, Faria também aparece cobrando que o Master não atrase pagamentos ao escritório de Viviane Barci de Moraes.
A PF também conseguiu identificar o conteúdo de envios feitos por Vorcaro a Moraes pouco antes da prisão do banqueiro, ocorrida em 17 de novembro de 2025. No dia 14 de novembro, o dono do Master teria dito ao ministro: “Estamos juntos sempre. Você sabe que tenho gratidão da minha vida a você”.
Já em 15 de novembro, Vorcaro enviou outra mensagem a Moraes, demonstrando ter conhecimento das investigações e questionou: “Não conseguimos reverter isso com Paulo e Andrei? Muita sacanagem isso. Isso em Brasília?”. Segundo o relatório da PF, a mensagem fazia referência a Paulo Gonet, Procurador-Geral da República, e Andrei Rodrigues, o diretor-geral da Polícia Federal. Em outro envio, feito no mesmo dia, Vorcaro teria perguntado se “acha que segunda já tenho que estar fora?”. Dois dias depois, na segunda-feira, 17 de novembro, Daniel Vorcaro foi preso no Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo, enquanto tentava deixar o país.
2 de setembro
Revelações da imprensa mostraram elos ocultos entre Vorcaro e André Mendonça:
- Uma reportagem de Paulo Motoryn, colunista do ICL Notícias, revelou que Mendonça havia se encontrado com Vorcaro e pessoas ligadas a ele em 2025, antes de assumir a relatoria. Em fevereiro daquele ano, o advogado baiano Ciro Rocha Soares tirou uma foto ao lado de André Mendonça em uma alfaiataria em São Paulo e enviou a Vorcaro com a mensagem: “Fala, Vorcarinho, trabalhando por você! Levei o André lá no Vasco agora, pra fazer um terno”. Em março, o deputado federal Cezinha de Madureira (PL-SP), teria articulado um encontro entre Vorcaro e Mendonça em um endereço que consta como sede do Iter, instituto de educação fundado por André Mendonça.
- O Globo revelou que Vorcaro prestou depoimento ao gabinete de Mendonça sem a presença da PF.
3 de setembro
No dia 3 de setembro, o presidente da Corte, Edson Fachin, exigiu explicações de Moraes e Mendonça. Além disso, incluiu no pedido o Procurador-Geral da República, Paulo Gonet, e o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, já que ambos haviam sido citados em mensagens enviadas por Vorcaro a Moraes.
Na parte da noite, o ministro Alexandre de Moraes pediu a inclusão de Mendonça no inquérito das fake news, do qual é o relator desde 2019. Segundo o magistrado, o colega deveria ser investigado por suposta parcialidade e “seleção de provas” no vazamento dos dados. Junto ao pedido de investigação do colega, o ministro entregou um relatório da PF que questiona a condução de Mendonça no caso Master, especulando, inclusive, possíveis motivações políticas. O documento, no entanto, não possui valor probatório.
4 de setembro
Edson Fachin retirou o pedido de investigação de André Mendonça, feito por Moraes no âmbito do inquérito das Fake News, e transferiu a análise para a Presidência do STF.
6 de setembro
André Mendonça liberou o relatório da PF para que seja apreciado no plenário da Corte.
8 de setembro

André Mendonça acatou um pedido feito pelo Partido Novo e afastou o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e o diretor de inteligência, Leandro Almada. Os motivos alegados pelo ministro foram de que eles teriam produzido relatórios ilícitos a pedido de Moraes, além de alegar que a PF conduziu operações de vigilância sobre o relator do caso, o ministro André Mendonça, e o Advogado-Geral da União, Jorge Messias, violando as prerrogativas da instituição. A decisão também questiona a existência de vícios no relatório, a ausência de autoria e o vazamento de informações que “comprometeram investigações em curso”, já que o documento indicava a existência de investigações contra Antônio Rueda e ACM Neto, presidente e vice-presidente do União Brasil, respectivamente.
A medida foi analisada pela 2º turma do STF para confirmar a decisão de Mendonça. Luiz Fux, André Mendonça e Kássio Nunes Marques votaram a favor. Dias Toffoli se declarou impedido, já que possui conexões com o caso Master, e Gilmar Mendes criticou a decisão dos colegas e pediu vistas do processo, alertando para o risco de a medida provocar um “desequilíbrio na disputa político-eleitoral” e afirmou que, como a decisão de Mendonça citava um relatório produzido a pedido de Moraes, integrante da Primeira Turma do Supremo, a análise do caso deveria ir ao Plenário.
A ação inaugurou uma nova etapa da crise institucional, levando 11 diretores da Polícia Federal a colocarem os cargos à disposição, em defesa dos colegas e contra a decisão de Mendonça. Somado a isso, a Advocacia-Geral da União apresentou um recurso ao STF, afirmando que nomear ou destituir um diretor da PF é uma atribuição do Presidente da República.
Veja mais: Mendonça afastou diretor da PF três dias depois que Dino autorizou operação contra seus aliados
9 de setembro
O ministro Flávio Dino mandou reintegrar a chefia da PF às suas funções, alegando que o Partido Novo não teria legitimidade para fazer o pedido de afastamento. A medida foi tomada por Dino porque ele é relator de um caso que investiga o uso de emendas parlamentares na produção do filme DarkHorse, cinebiografia de Jair Bolsonaro. O afastamento da cúpula da PF, portanto, impactaria negativamente as investigações sobre a obra, que também recebeu mais de R$ 60 milhões de Daniel Vorcaro.
Horas depois, Edson Fachin derrubou as duas decisões, tanto de Mendonça quanto de Dino, com o efeito final de restabelecer a direção da PF aos cargos. Além disso, o presidente da Corte deu 48h para que o diretor-geral da Polícia Federal prestasse esclarecimentos. Fachin também removeu Alexandre de Moraes da relatoria do inquérito das Fake News e assumiu o processo para si.
10 de setembro: retirada do sigilo do caso Master
A crise no STF ampliou os pedidos da sociedade civil e de representantes de outras instituições para que houvesse a retirada do sigilo sobre o caso Master. No dia 10 de setembro, atendendo ao pedido de Edson Fachin, o ministro André Mendonça retirou parte do sigilo.
No entanto, a quebra do sigilo foi feita ao longo dos dias, rendendo críticas à atuação de Mendonça por seletividade. Segundo Moraes, o relator estaria tornando públicos apenas documentos que “entendeu conveniente”.
15 de setembro: o julgamento
No dia 15 de setembro, o plenário do STF se reuniu para discutir como deveriam tramitar os processos envolvendo Alexandre de Moraes e André Mendonça no caso Master. A sessão, porém, terminou sem análise do mérito após Flávio Dino pedir vista. Até a suspensão, havia maioria provisória de 4 a 3 contra a união dos dois casos. A sessão foi marcada por bate-boca e troca de acusações entre os ministros.
No mesmo dia, vieram a público novas mensagens do celular de Daniel Vorcaro que conectam os advogados Rodrigo Fux, filho do ministro Luiz Fux, e Kevin Marques, filho de Nunes Marques, a Daniel Vorcaro.
As mensagens relacionadas a Kevin mostram que o Banco Master teria feito pagamentos ao filho do ministro por conta de serviços de advocacia prestados. Já Rodrigo Fux manteve contato com Vorcaro entre maio de 2024 e agosto de 2025, com mensagens que variam entre pedidos de serviços advocatícios e convites para encontros em várias cidades e “fumar um charuto” juntos. Em uma das mensagens, filho de Fux falou até mesmo em estender ‘tapete vermelho’ a Vorcaro.
Por que a crise tem sido chamada de uma das mais graves da história do Supremo?

A profundidade da crise no STF vai além de uma investigação específica. Em poucos dias, divergências que normalmente seriam resolvidas por meio de decisões, votos e recursos se transformaram em acusações públicas entre ministros, decisões contraditórias e dúvidas sobre quem pode investigar integrantes da própria Corte.
Entre as consequências, há também um risco menos jurídico e mais institucional: a imagem do Supremo. A confiança da sociedade e das demais instituições depende, entre outros fatores, da percepção de que existem regras claras para definir quem investiga, quem julga e quais limites devem ser respeitados. Em 2026, até essas regras passaram a fazer parte da disputa.
Tudo isso ocorre em pleno ano eleitoral, o que faz com que a repercussão política do conflito ganhe um peso capaz de se converter em propaganda, sem explicar as causas ou apontar uma saída. E talvez seja justamente esse o ponto mais delicado da crise: o STF não está apenas diante de uma investigação que envolve nomes da própria Corte. Agora, o desafio não é agir como árbitro de crises alheias, mas gerenciar o que acontece dentro de si mesmo.